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Fluvoxamina para o Tratamento de Binge (ou Trans Compulsivo Alimentar)

Introdução
O distúrbio alimentar denominado binge caracteriza-se por episódios recorrentes de ingestão exagerada, assemelhando-se a bulimia nervosa, diferenciando-se desta por não apresentar um comportamento de evitação de ganho de peso como a auto-indução ao vômito como acontece na bulimia. Somente nos últimos anos o binge começou a receber atenção dos pesquisadores por causa da freqüência com que este problema se manifesta. Pacientes com binge são freqüentemente encontrados fora do ambiente psiquiátrico: são pessoas com comorbidades psíquicas e problemas de obesidade. Ainda não existe um tratamento definido para o binge, embora existam relatos de eficácia com a d-fenfluramina, um derivado anfetamínico com propriedades anorexígenas e ação ligada à supressão da serotonina. Seu uso comercial, contudo, foi suspenso em alguns países. Outras alternativas terapêuticas relatadas são: terapia cognitiva, terapia interpessoal e a medicação desipramina (não comercializada no Brasil). Os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) têm obtido sucesso no tratamento da bulimia nervosa. Com base nesse fato decidiu-se testar a fluvoxamina (um ISRS) para controlar os episódios de Binge
.Método
O estudo foi realizado em três centros distintos; os pacientes foram distribuídos randomicamente e comparados a um grupo com placebo no esquema duplo-cego. O estudo durou 9 semanas e 85 pacientes participaram. A dose empregada de fluvoxamina variou entre 50 e 300mg
Resultados
Em ambos os grupos houve uma diminuição dos episódios de binge mas o grupo com fluvoxamina diminuiu mais. A análise estatística mostrou que a diferença entre a fluvoxamina e o placebo é signficativa, constatando assim uma superioridade desta medicação. Apenas 12% dos pacientes desistiram do tratamento por causa dos efeitos colaterais; os mais comuns foram: náusea, sonolência e sensação de leveza na cabeça. A fluvoxamina diminuiu não apenas o número de episódios de binge, mas também o peso corporal, demonstrando sua real eficácia
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Discussão

As principais limitações nesse estudo foram 1- O tempo de estudo relativamente curto. 2- A falta de um instrumento específico para medir a melhora do binge. Nesse trabalho foram utilizadas escalas gerais ou de sintomas depressivos, mas nada específico para binge. 3- A manifestação dos efeitos colaterais pode ter prejudicado o esquema duplo-cego. 4- O tamanho da amostra é considerado pequeno para a prevalência desse distúrbio na população geral.
Conclusão
Este trabalho apresenta um bom começo, mas são necessários outros do mesmo tipo para se dar prosseguimento ao estudo do tratamento do binge.

Última Atualização: 3-03-2006
Referências Biblio.
Am J Psychiatry 1998; 155: 1756-1762
Fluvoxamina para o Tratamento de Binge