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Ansiedade Generalizada
A ansiedade generalizada é um transtorno de ansiedade
e não um estado de ansiedade normal e passageiro. As fronteiras
entre a ansiedade normal e a patológica não são claras
nem estão prestes a serem definidas. Esta obscuridade é
reforçada pelo fato da ansiedade normal responder às medicações
que tratam o transtorno de ansiedade. Na medicina de uma forma geral o
teste terapêutico (experimentar, tratar quando isso é seguro,
para ver se o paciente melhora) serve para definir se a pessoa está
ou não com problemas. Na ansiedade generalizada o teste terapêutico
não ajuda.
A falta de clareza entre a ansiedade generalizada e a ansiedade normal,
aliada a boa resposta de ambas aos tranqüilizantes, são fatores
contribuintes para a má prática médica. Definamos
aqui como má prática a manutenção por tempo
prolongado de uma medicação ou psicoterapia desnecessariamente.
Uma pessoa submetida a fortes tensões numa determinada fase da
vida mesmo não estando doente, pode fazer uso por tempo previamente
definido (até dois meses, por exemplo) de tranqüilizantes.
Isto é válido e contribui para a manutenção
da qualidade de vida. As radicalizações sempre são
os meios mais fáceis de resolver os problemas; o meio termo sempre
é mais difícil, exige arte e bom senso do terapeuta. Depois
de feito um diagnóstico de presença ou ausência de
patologia mental o profissional deve estar sempre revendo seu diagnóstico.
Não há nenhum problema em constatar erros e mudar a conduta,
desde que prudentemente. Nos casos em que o erro representa perigo para
o paciente é recomendável a opinião de outros colegas
antes de se tomar uma decisão, o que dificilmente aconteceria na
ansiedade generalizada que representa uma condição limitante
da capacidade mental, embora incapaz de levar alguém á morte.
Tratamento Farmacológico
Não estaríamos exagerando se disséssemos que o tratamento
da ansiedade generalizada é banal. Este transtorno apresenta boa
resposta aos tranqüilizantes benzodiazepínicos, à buspirona
(tranqüilizante que não induz dependência, nem provoca
sonolência), a vários antidepressivos, como os tricíclicos,
a trazodona, a nefazodona,
a paroxetina, a venlafaxina
(os inibidores da recaptação da serotonina). Como os trantornos
de ansiedade e os transtornos depressivos estão freqüentemente
associados, não será difícil controlar os sintomas
de ambas as condições psiquiátricas com uma só
substância. Praticamente qualquer opção que o terapeuta
faça dentro dos grupos de tranqüilizantes e antidepressivos,
alcançará boa resposta no controle dos sintomas.
Psicoterapia
Nenhuma comparação das psicoterapias entre si e com os psicofármacos
no tratamento dos distúrbios mentais é equilibrada. Os psicofármacos
possuem uma sistemática e organizada forma de divulgação
dos resultados dos tratamentos. Os psicofármacos podem tanto ser
pesquisados pelas próprias indústrias como por instituições
de pesquisa. A divulgação científica e a propaganda
são sem vínculo nenhum nesses casos. Como as psicoterapias
pelas suas próprias naturezas não podem utilizar o mesmo
método empregado com as medicações, as informações
sobre a eficácia das psicoterapias não podem ser comparadas
às informações obtidas nos estudos farmacológicos.
Exceção seja feita para a terapia cognitiva-comportamental.
Esta terapia pode submeter-se a desenhos de estudo semelhantes aos dos
psicofármacos e vêem inclusive sendo comparadas a eles. Nada
podemos afirmar sobre as terapias existenciais, psicanalíticas,
jungianas, gestalt e demais individuais ou em grupo. Um médico
ao afirmar que uma psicoterapia não funciona para tratar a ansiedade
generalizada baseia-se na falta de informações, e não
sobre comprovação de ineficácia. É um fato
também que muitos pacientes com ansiedade generalizada, antes de
experimentarem alguma medicação, se submeteram a meses ou
anos de psicoterapia ou análise sem resultados significativos.
Esses casos sempre acabam nos médicos, os casos que responderam
e melhoraram não chegam a eles, voltam para casa satisfeitos. Com
a falta de informação sobre a eficácia das psicoterapias
no tratamento da ansiedade generalizada, e com a chegada dos casos que
fracassaram nas psicoterapias os médicos naturalmente concluem
que as psicoterapias não funcionam. Por outro lado quando a farmacoterapia
fracassa e chega aos terapeutas, esses é que julgam ser as medicações
ineficazes.
Última
Atualização: 14-10-2004
Referências Biblio.:
Psychiatr Clin
North Am, 20(4):723-39 1997 Dec
Generalized Disorder
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