 |
Onde estão os pacientes com estresse pós-traumático?
A história recente da psiquiatria mostrou que transtornos considerados
raros como o bsessivo-compulsivo
passaram a ser mais detectados depois que se investigou mais a respeito.
A depressão e o pânico
são amplamente divulgados na mídia; não é
difícil encontrar um paciente que chegue ao consultório
com o diagnóstico feito por si mesmo depois de ter lido alguma
matéria a respeito do assunto. A fobia
social está ganhando terreno na mídia e está
sendo mais encontrada agora.
Os transtornos mentais leves e mesmo os moderados seguem em geral o mesmo
caminho: a pessoa vê que tem algo errado consigo, desconfia de que
pode estar ficando louca, tem medo, não conta a ninguém,
explica o que está se passando consigo de acordo com teorias próprias,
vai adiando a busca de um profissional. Nesse meio tempo até procura
um clínico por causa de outros problemas, mas poucas vezes cita
a ele o que está se passando em seu mundo psíquico: quando
o faz ganha ou pede a receita de um tranqüilizante.
Graças a divulgação de massa esse caminho foi encurtado
para os transtornos divulgados, muitas pessoas e famílias se beneficiaram
com a divulgação das características das patologias
mentais. Contudo muito ainda falta para ser feito.
O estresse após um trauma provavelmente encontra-se perdido nesse
caminho entre a aflição dos sintomas e a busca do terapeuta.
Assim como o trauma físico o psíquico afeta pessoas previamente
saudáveis sem histórias ou parentes com problemas mentais.
Os pacientes acometidos pelo estresse pós-traumático sabem
que sofrem de um problema causado pelo trauma: afinal os sintomas estão
relacionados a ele e o que o paciente não sabe é que este
problema não é só dele e tem tratamento.
Nos grandes centros brasileiros o índice de violência tem
crescido, as vítimas de assassinatos, acidentes de trânsito,
assaltos violentos, seqüestros, estupros estão crescendo.
Mas onde estão os pacientes com estresse pós-traumático?
Provavelmente a desinformação está impedindo com
que esses pacientes cheguem aos profissionais qualificados. Por outro
lado esse tema é escassamente pesquisado em nosso país,
quando muito encontramos algum levantamento bibliográfico de publicações
estrangeiras.
O estresse pós-traumático é comum?
Pelas estatísticas feitas na população americana
ocorre em 3,6%, ou seja, 5,2 milhões de pessoas naquele país
.Quais são os sintomas?
Basicamente são recordações intrusivas e vivas do
evento ocorrido, distinto de uma simples recordação por
ser involuntária e tão clara como se a pessoa estivesse
vivendo de novo a situação, por isso usa-se o termo re-experiência
do trauma. Pode manifestar-se também de forma mais branda, mas
ainda assim grave, como pesadelos, aversão ao local do ocorrido
ou qualquer coisa que recorde a situação, como as pessoas
envolvidas, aniversário do acontecimento, eventos semelhantes,
etc. A pessoa pode passar a ter problemas de depressão, ansiedade,
insônia, irritabilidade, explosões de irritação
Como se trata?
Recomenda-se que a pessoa inicie o tratamento o quanto antes, tanto com
psicoterapias como medicações. Parece que a intervenção
precoce permite um prognóstico melhor. Não há uma
forma psicoterápica especificamente indicada: pode ser usada a
terapia individual centrada no trauma, psicoterapia breve, treinamento
de relaxamento, terapia comportamental para dessensibilização
e também terapia em grupo. As medicações não
são a forma terapêutica mais importante, mas também
devem ser iniciadas precocemente. Tempo requerido para alguma resposta
é ainda mais demorado que o necessário rotineiramente, variando
de 2 a 4 meses de uso contínuo. As medicações usadas
são os inibidores da recaptação da serotonina, e
mais recentemente o topiramato, ainda em fase de testes
Discussão
No início desse texto falamos sobre o desconhecimento por parte
da população geral, e provavelmente dos médicos não
psiquiatras. Falamos também da necessidade de uma intervenção
precoce para tratamento a fim de melhorar o prognóstico. Quando
uma pessoa se fere, sabe que deve ir ao pronto socorro tratar do ferimento,
mas quando os sintomas do estresse pós-traumático surgem
as pessoas não sabem o que fazer e só chegam ao profissional
da saúde mental meses ou anos depois, quando vão. Da mesma
forma como se divulgaram outros transtornos mentais com enorme benefício
para a população, devem ser promovidas tais informações
para a população em geral. Um bom ponto de partida seria
a formação das equipes que trabalham nos prontos-socorros.
A instrução desses atendentes para avisar os pacientes ou
familiares para a possibilidade de ocorrência dos sintomas psiquiátricos,
e a necessidade de rápida atuação
Última Atualização: 13-10-2004
Referências Biblio.:
Estresse
Pós-Traumático
http://www.nlm.nih.gov/medlineplus/posttraumaticstressdisorder.html
|