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Queixas de falta de memória e início de Demência de Alzheimer

Os Clínicos freqüentemente se deparam com pacientes com queixas de perda de memória, principalmente por parte das pessoas idosas. Considerando que existe atualmente uma valorização do problema por parte dos meios de comunicação, essas queixas tendem a ser desprezadas. A questão em foco é avaliar se pequenos declínios da memória ocorrem antes do início da demência. Muitas vezes até que se faça o diagnóstico de demência, o paciente apresentou, durante um período, uma deterioração da atividade cognitiva. Como isto é gradual e pode passar despercebidamente os estudos até agora feitos nesse assunto não encontraram relação entre queixas de falta de memória e posterior processo de demenciação. Houve, contudo, um trabalho afirmando o contrário. Em muitos trabalhos foram detectados casos de depressão, confundidos pelos pacientes como perda de memória. Contudo, a diferenciação entre essas patologias, pode ser feita através do exame dos sintomas cognitivos, presentes na demência e ausentes na depressão.
Há duas formas de se encarar essa questão: a primeira como sendo esta queixa um fator precoce de incidência de demência, a segunda como um fator tardio, quando os testes neuropsicológicos ainda não detectaram alterações das funções cognitivas. Sob tais circunstâncias há duas maneiras de agir: a primeira, realizando os testes na época das queixas, a segunda, realizando os testes alguns anos depois das primeiras queixas. Estaríamos assim admitindo a auto-consciência do funcionamento mental como um instrumento sensível de detecção da demência

Método

Foram estudados numa comunidade de 3.778 idosos entre 65 e 84 anos de idade, não demenciados. A estes idosos foram aplicados o Mini Mental. A partir dos resultados desses testes separou-se o idoso em dois grupos: normal com resultados entre 26 e 30, e limítrofes com resultados abaixo de 26 pontos
Resultados
Após 3,2 anos 2.169 idosos foram reavaliados; destes, 77 apresentaram a incidência de Alzheimer. A análise estatística confirmou que aqueles sem alterações cognitivas com queixas de perda da memória apresentaram mais demência do que aqueles com alterações cognitivas no início do estudo.
Conclusão
Os autores concluíram a partir desses achados que os idosos sem comprometimentos cognitivos percebem com mais precisão o declínio das atividades cognitivas (exteriorizada como perda de memória) do que os idosos com um pequeno comprometimento, podendo assim prever com mais exatidão o processo demenciativo futuro.

Última Atualização 28-10-2004
Referência Biblio.:

Am J Psychiatry 1999 156:531-537,
Queixas de falta de memória e início de Demência de Alzheimer

Performance da Memória em Franceses Idosos

Um estudo epidemiológico com 2.726 franceses acima de 65 anos de idade, utilizando dois testes de memória, foram realizados para estudar as queixas de perda de memória em pessoas sem patologias mentais. Encontrou-se uma relação significativa entre as queixas e o fraco desempenho nos testes de memória. Contudo, não houve uma sintonia entre o grau de comprometimento detectado pelos testes e os relatos pessoais. Talvez isso indique uma tendência dessas pessoas a quererem mostrar no teste o que se queixam rotineiramente, "forçando" resultados alterados; isto, contudo, é uma suposição. Os resultados mais baixos seguiram os padrões até então constatados: menor desempenho para idades mais avançadas e menor nível educacional. As mulheres e as pessoas com níveis mais elevados de sintomas depressivos também apresentaram um desempenho menor.

Referência Biblio.:Program. Neuroepidemiology 1994; 13:145–154
Self-reported memory complaints and memory performance in elderly French community residents: results of the PAQUID Research
Gagnon M, Dartigues JF