 |
A Clozapina é Superior aos Neurolépticos Convencionais ?
Introdução
A quantidade de informações médicas mensalmente publicadas
requerem constantes revisões dos efeitos das medicações.
Mesmo já se tendo testado e aprovado, é necessário
continuar experimentando até não se ter mais dúvidas.
Temos verificado, por exemplo, a contestação de um dos efeitos
que levaram a reintrodução da clozapina no mercado: a ação
sobre os sintomas negativos dos pacientes psicóticos crônicos.
Assim a própria eficácia da medicação deve
ser verificada, pois se trata de um remédio com efeitos colaterais
potencialmente fatais e com alto custo financeiro.
A clozapina é um neuroléptico atípico com potencial
de provocar agranulocitose (perda das células de defesa) fatal
- motivo pelo qual foi suspensa nas décadas passadas. Sabe-se que
ela é superior aos antipsicóticos convencionais no tratamento
da esquizofrenia resistente, mas não se tem bem definido se há
superioridade para o tratamento dos pacientes que respondem aos antipsicóticos
comuns. A finalidade dessa revisão é comparar a clozapina
aos neurolépticos usuais nos casos com boa resposta a eles.
Método - Todos os trabalhos realizados de forma satisfatória
metodologicamente que comparavam a clozapina à neurolépticos
convencionais, foram selecionados para participar desta revisão
bibliográfica. Foram usados métodos eletrônicos para
levantamento bibliográfico ou contatos pessoais diretos com os
autores dos trabalhos atuais.
Resultados
- Detectou-se 403 trabalhos no assunto sendo que 30 preenchiam os critérios
de metodologia científica, publicados entre os anos de 1974 e 1998,
totalizando assim 2.530 pacientes randomizados. Os neurolépticos
mais usados foram: haloperidol, clorpromazina,
clopentixol, tioridazina,
trifluoperazina. A aceitação
da clozapina, de uma forma geral, foi superior à aceitação
dos neurolépticos. Os pacientes queixaram-se menos dos efeitos
colaterais. Alguns trabalhos apontaram para uma tolerância maior
em relação aos neurolépticos de baixa potência
e equivalente para os neurolépticos de alta potência. Esta
tolerância ficou mais palpável quando a comparação
se estendia por um longo período: em curto prazo a tolerância
é equivalente. De 613 pacientes em uso de clozapina, 22 apresentaram
problemas hematológicos, o que representa 3,6%. Este resultado
foi obtido em estudos de curto prazo: a longo prazo a incidência
aumentou para 7%. O grupo controle (com neurolépticos convencionais)
mostrou uma taxa de 1,9% de alterações hematológicas.
A clozapina apresentou maior incidência de hipersalivação,
aumento da temperatura corporal e sedação, do que os outros
neurolépticos. Quanto aos efeitos de hipotensão/tonteiras,
convulsões e ganho de peso a clozapina se equivaleu aos demais
neurolépticos. Não se pode comprovar nenhuma superioridade
da clozapina sobre os outros neurolépticos quando era usada em
pacientes responsivos; também não se confirmou nenhuma superioridade
quanto ao grau de melhora nos pacientes tratados com a clozapina
Conclusão
A clozapina pode continuar sendo considerada superior para o controle
dos pacientes psicóticos resistentes ao tratamento com neurolépticos
convencionais, contudo se equivale em eficácia quando o paciente
já obteve melhora com outro neuroléptico. Constatou-se também
sua superioridade quanto a tolerabilidade de longo prazo, o que aumenta
as chances de sucesso no tratamento, pois um dos principais motivos de
abandono e conseqüente fracasso no tratamento é a intolerância
aos efeitos colaterais.
Última Atualização
28-10-2004
Referência Biblio.:Am J Psychiatry 1999 156:990-999
A Clozapina é Superior aos Neurolépticos Convencionais ?
Eficácia da
Clozapina em Pacientes Internados
Neste estudo os autores
examinaram a eficácia da clozapina comparada a um conjunto de antipsicóticos
convencionais, usados principalmente pelo atendimento público.
Foram selecionados 227 pacientes para serem acompanhados de forma aberta
durante 2 anos. Constatou-se uma significativa redução dos
efeitos colaterais, recaídas e internações, em relação
ao grupo que tomava os antipsicóticos usuais. Por outro lado não
foi confirmado que a qualidade de vida e o controle dos sintomas fosse
superior no grupo de pacientes com clozapina. A clozapina também
não aumentou as chances de alta para os pacientes internados. Os
resultados sugerem que a clozapina é eficaz embora não apresente
uma absoluta superioridade.
Última Atualização
14-10-2004
Referência Biblio.:
Psychopharmacol Bull 1996;
32:683697
Clozapine's effectiveness for patients in state hospitals: results from
a randomized trial.
Essock SM
Comparando Clozapina
ao Haloperidol
A clozapina é
uma medicação cara e usada para tratar pacientes com esquizofrenia
refratária. Sua baixa incidência de efeitos extrapiramidais
é uma vantagem compensada pelo risco de agranulocitose (perda de
células de defesa). Foram avaliados e comparados neste estudo de
longo prazo os efeitos colaterais, o desempenho social e o custo econômico
da medicação. Durante um ano, 205 pacientes tratados com
clozapina, foram comparados a 218 pacientes tratados com haloperidol,
de forma duplo-cega e randomizada. Todos esses pacientes tinham esquizofrenia
refratária, tendo uma faixa de internação de 30 a
364 dias durante o período de acompanhamento. No grupo da clozapina
57% dos pacientes mantiveram o tratamento durante todo o ano do acompanhamento;
já no grupo de haloperidol apenas 28% apresentou o mesmo resultado.
Comparando-se as escalas de avaliação de sintomas positivos
e negativos, os pacientes com clozapina apresentaram 5,4 vezes menos sintomas
do que o outro grupo. As diferenças na qualidade de vida não
foram significativas. Os pacientes, com a clozapina tiveram menos dias
(média de 143,8 dias) de internação do que os pacientes
com haloperidol (média de 168,1 dias). Os custos sociais totais
por paciente foram: U$ 58.151 para os pacientes com clozapina e U$ 60.885
para os pacientes com haloperidol. As despesas com medicações
foram U$ 3.199 por paciente com clozapina e U$ 367 por paciente com haloperidol.
Os pacientes com clozapina tiveram menos incidência de discinesia
tardia e menos efeitos extrapiramidais. A agranulocitose se desenvolveu
em 3 pacientes com clozapina. Todos se recuperaram completamente. Para
os pacientes esquizofrênicos refratários com alto nível
de utilização hospitalar a clozapina mostra-se mais vantajosa
em relação ao haloperidol..
Última Atualização
16-05-2002
Referência Biblio.: N
Engl J Med 1997; 337:809815
A comparison of clozapine and haloperidol in hospitalized patients with
refractory schizophrenia.
Rosenheck R
|