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Resíduos de Haloperidol no Tecido Cerebral

Após a interrupção de um antipsicótico os efeitos colaterais como os sintomas parkinsonianos ou mesmo a síndrome neuroléptica malígna, não desaparecem imediatamente, dependendo da medicação permanecem por um longo período. Observa-se também que nas semanas seguintes à interrupção do tratamento farmacológico, dificilmente os pacientes sofrem uma recaída. Estes dois fatos são sugestivos de uma permanência prolongada de neurolépticos nos sítios de ação, ou melhor, nos botões sinápticos, após a suspensão da medicação.
O Haloperidol é um dos neurolépticos mais frequentemente prescritos. A eliminação é lenta, seu decaimento observado no sangue ocorre em dias ao invés de horas como as demais medicações.
A finalidade deste trabalho é estudar a concentração do haloperidol no tecido cerebral humano e a relação com tempo de suspensão da medicação.
Método - A concentração do haloperidol foi medida em 5 regiões (córtex temporal, giro do cíngulo, núcleo caudado, núcleo dentado e corpo caloso) do cérebro de 11 pacientes falecidos tendo previamente feito uso de haloperidol. O nível de haloperidol foi analizado por cromatografia ultravioleta.
Resultados - A concentração encontrada do haloperidol no tecido cerebral foi de 10 a 30 vezes superior a concentração sanguínea considerada adequada para o tratamento dos sintomas psicóticos. A concentração do haloperidol estava uniforme nas diferentes áreas. Aparentemente não se encontrou uma relação entre o tempo de tratamento e a concentração no tecido cerebral. Doses mais altas de haloperidol resultam numa concentração mais alta no tecido cerebral. A meia-vida de eliminação do tecido cerebral calculada foi de 6,8 dias.
Conclusão - Os resultados podem tem implicações para a decisão do tratamento clínico. Pacientes expostos ao haloperidol levam semanas para terem a medicação completamente eliminada do organismo.

Última Atualização 5-10-2004
Referência Biblio.:
Am J Psychiatry 1999 156:885-890
Resíduos de Haloperidol no Tecido Cerebral