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Transtornos Conversivos
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Acompanhamento de 5 anos de Distúrbio Conversivo Motor

Introdução - Apesar de várias modificações durante os últimos anos a validade do diagnóstico do transtorno conversivo não é satisfatória. Os limites dos critérios de diagnóstico também não têm sido constantes entre os pesquisadores do tema. Além disso, as hipóteses etiológicas são variadas, levando à orientações de pesquisas a resultados também variados. Os pesquisadores dividem-se em hipóteses de origem biológica, psicodinâmica, socio-cultural e comportamental. Conseqüentemente encontram-se enormes variações dos resultados nas pesquisas sobre distúrbios conversivos motores. Os estudos apontam uma variação de 15% a 74% de recuperação espontânea do distúrbio conversivo motor. Em vista dessa situação alguns pesquisadores começam a afirmar que não há um transtorno motor especificamente, mas sintomas conversivos motores complementares a outras patologias mentais.
Os fatores associados a melhor recuperação são: sexo masculino, início agudo dos sintomas, boa saúde antes da doença, ausência de outro distúrbio mental ou somático, evento estressante como fator precipitante (o início espontâneo é de pior prognóstico).
Muitos estudos foram feitos de modo retrospectivo, o que compromete a confiabilidade dos dados obtidos; outro fator de possíveis falhas metodológicas foram as investigações neurológicas insuficientes, falta de instrumentos padronizados e falta de investigação de distúrbios de personalidade concomitantes.
Método - O presente estudo foi realizado de forma prospectiva durando para alguns pacientes até 5 anos de acompanhamento. Foram feitas investigações psiquiátricas mais amplas e um acompanhamento neurológico detalhado. Trinta pacientes com diagnóstico de transtorno conversivo motor foram selecionados, sendo 12 homens e 18 mulheres com a média de idade de 38,8 anos (extremos de 18 e 74 anos). A todos os pacientes foram aplicados questionários e escalas de avaliação tanto dos sintomas conversivos como de outros sintomas: ansiedade, depressão, personalidade, etc. No final do acompanhamento todos os pacientes permaneciam com os mesmos diagnósticos psiquiátricos e neurológicos anteriores ao início do quadro conversivo.
Resultados - Dezenove pacientes apresentaram remissão completa e onze permaneciam sintomáticos depois de, no mínimo, dois anos de acompanhamento. Não se encontrou nenhuma relação entre a melhora dos pacientes ou a manutenção de seu estado com outras variáveis como comprometimento físico ou comorbidades psiquiátricas. O distúrbio da personalidade, especialmente do tipo histriônico foi o que apresentou maior correlação com o distúrbio conversivo motor.
Conclusão - O distúrbio de personalidade não pode ser considerado um fator predisponente neste estudo devido ao tipo de análise estatística e número de pacientes em estudo, mas quando presente, prolonga o quadro conversivo, agravando o prognóstico. Além desses pacientes, aqueles sem esperança de melhora ou com baixa expectativa de recuperação, segundo seu próprio ponto de vista, também apresentam um prognóstico mais reservado.

Última Atualização: 29-10-2004
Referências Biblio.:
Psychosomatics 1998; 39:519–527
Acompanhamento de 5 anos de Distúrbio Conversivo Motor

O paciente Internado com Conversão

Neste estudo retrospectivo com 220 pacientes com sintomas conversivos foi realizada uma subdivisão de acordo com os achados clínicos no momento da alta hospitalar. Quanto mais longa a duração dos sintomas e quanto mais velhos os pacientes, menor o benefício alcançado pela terapia. Um problema particularmente difícil para a terapia com os sintomas conversivos era a questão do ponto de vista do paciente. Eles não admitiam que o problema fosse psicológico, mas físico. Isto foi considerado pelos autores como uma cegueira psicológica.

Referências Biblio.: Psychother Psychosom 1990; 53:161 –165
Inpatient treatment of conversion disorder: a clinical investigation of outcome

Prejuízos Motores dos Pacientes Com Converasão

Os trabalhos anteriores sugeriram associações entre conversões e vários outros sintomas psiquiátricos, este trabalho tem por finalidade discutir esse assunto. Trinta pacientes com início recente de problemas motores conversivos foram comparados a um grupo controle com sintomas motores de base somática definida (por lesão). A duração dos sintomas anteriores ao início da pesquisa foi equivalente entre os grupos bem como as características de sexo e idade. Ambos grupos foram acompanhados prospectivamente. Foi realizada uma avaliação psiquatrica geral e aplicados testes a todos. Os pacientes com quadro conversivo apresentaram com maior frequência sintomas psicopatológicos (33%), além disso metade dos pacientes apresentava algum traço de personalidade patológica. O grupo controle apresentou uma incidência de 10% de sintomas psicopatológicos e 17% traços de personalidade patológica. Apesar dos pacientes com quadro conversivo com problemas neurológicos concomitantes terem sido excluídos, verificou-se em 33% deles algum problema médico geral, e 50% queixas de dores sem origem definida. O nível educacional dos pacientes com quadro conversivo era mais baixo do que os pacientes do outro grupo, tendo sido identificado com maior frequência a interrupção prematura dos estudos. O índice de auto-avaliação do estado geral também foi menor no grupo com conversão. Os autores são da opinião de que os quadros conversivos devem ser tratados como sintomas e não como diagnósticos ou categorias com psicopatologias específicas.

Referências Biblio.: J Neurol Neurosurg Psychiatry 1997; 63:83–88
Binzer M Clinical characteristics of patients with motor disability due to
conversion disorder