 |
ECT em Pacientes Idosos com Esquizofrenia
Com
a introdução da clorpromazina
e outros antipsicóticos, parecia que não haveria mais necessidade de usar
a Eletroconvulsoterapia (ECT) para pacientes esquizofrênicos.
Desde então começaram as controvérsias. Um grupo defendendo o uso do ECT
e outro dizendo que era dispensável como até hoje acontece. Os que defendem
o uso do ECT apresentam casos de pacientes que se beneficiaram quando
tiveram exacerbações dos sintomas psicóticos com a aplicação do ECT.
O ECT é usado com muito menos frequencia para os pacientes psicóticos
do que para os pacientes com distúrbios do humor. Existe uma informação
errada, geralmente aceita, de que psicóticos crônicos de idade avançada
não devem fazer ECT. Compêndios tradicionais como o KAPLAN & SADOCK
afirmam que o ECT só deve ser feito nos casos de psicose com menos de
um ano de atividade da doença. Com isso os pacientes resistentes às medicações
ficaram sem alternativa terapêutica.
Neste trabalho foram acompanhados 5 pacientes psicóticos crônicos durante
6 anos, todos com mais de 50 anos de idade em uso regular de ECT nos períodos
de exacerbação dos sintomas.
A idade
dos pacientes estudados variou entre 58 e 74 anos de idade quando começaram
as aplicações de ECT. Quatro desses pacientes foram diagnosticados como
esquizoafetivos e um como
esquizofrenia atípica com episódios de agudização. Quatro desses pacientes
apresentaram-se irresponssíveis ao tratamento farmacológico e um deles
recusava-se a tomar qualquer tipo de medicação. Os que aceitavam, as medicações
foram mantidas, acrescentando-se o ECT. Todos os pacientes apresentaram
melhora dos sintomas antes resistentes após a introdução do ECT. As aplicações
do ECT seguiram a necessidade de cada caso, sendo mais frequentes nos
períodos de exacerbação dos sintomas e mais espaçadas ou inexistentes
nas fases mais tranquilas.
Alguns autores encontrados no levantamento bibliográfico afirmavam
que não tinham dúvidas sobre o valor benéfico do ECT para os pacientes
psicóticos resistentes, dados os resultados positivos obtidos. Devido
a algumas dúvidas que existem sobre os benefícios entre o ECT uni ou bilateral,
foram feitos sempre bilateralmente.
Os autores deste e de outros trabalhos recomendam fortemente que
os pacientes psicóticos, mesmo acima de 50 anos de idade que não tenham
obtido satisfatoriamente uma melhora com dois neurolépticos mais a clozapina,
acrescentem ao tratamento o ECT.
Última
Atualização:
29-10-2004
Referências Biblio.:
Am
J Geriatr Psychiatry 1999; 7:171-174
ECT em Pacientes Idosos com Esquizofrenia
ECT para Esquizofrenia?
A esquizofrenia é
uma doença de grande importância e complexidade. Seu reconhecimento precoce
é difícil e os conceitos têm evoluido continuamente. A eletroconvulsoterapia
(ECT) foi introduzida ainda durante a denominação de demência precoce.
Até o advento dos antipsicóticos o ECT era aplicado com bons resultados
de forma ampla. Em 1970 o ECT foi reintroduzido para tratar as formas
resistentes às medicações. Os artigos que questionavam o uso do
ECT para esquizofrenia eram baseados em pacientes já muito comprometidos
pela doença. Estudos mais cuidadosos têm mostrado que o ECT continua sendo
útil principalmente para interromper o primeiro episódio, especialmente
entre os casos com agitação, hiperatividade, delírios proeminentes e pacientes
mais jovens, sintomas esquizoafetivos, catatônicos e sintomas positivos
em geral.
Referências
Biblio.:
Am J Psychiatry 1998; 155:1521-1528
Estudo Prospectivo sobre Discinesia Tardia
Margaret G. Woerner, Jose Ma. J. Alvir, Bruce L. Saltz, Jeffrey A. Lieberman,
and John M. Kane
|